Desligando o telefone com minha mãe percebo o quanto ainda as gentes preservam um pudor religioso às palavras. E não tem nada de moral nele, por exemplo, de falar cu. É um medo que as palavras venham a se concretizar. A dor de garganta do meu irmão, talvez quando dita, possa piorar a condição dele. Esse raciocínio é extremamente místico, a palavra, por si só, não gera efeito na realidade. O máximo que ela causa é um efeito no interlocutor, alguma ofensa ou agrado. Seria fascinante construir todo um romance baseado nesse conteúdo místico das palavras e conformar toda uma descrição presente à construção de um futuro. Afastando assim o paradoxo que essa ideia contém.
p.S: Entendo agora porque meu professor de Direito de Família e Sucessões disse que o Brasil é um dos países em que menos se faz testamentos.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
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