sábado, 20 de junho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Água.

Ainda uma criança em matéria de vinhos e culinária, embora desesperado pra entender sobre (note to self) percebo que água é algo a ser valorizado. Há rituais em vinhos e aromas em cafés, na água não há absolutamente nada. Há uma saciedade infalível, uma satisfação plena, com um líquido humilde e prosaico. Não sem razão, nunca vi nada que substituísse água. Não tem experiência estética em se tomar água, não tem gosto, tem só o encontro com sua natureza, na forma de sede.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Internetês sucinto.

As conversas com meu primo de 11 anos extremamente maduro tem me convencido da importância da concisão do estilo:

Pedro diz:
oi paulo antonio
Paulo diz:
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Pedro diz:
minha vó ta aqui
vc ta infectado
Paulo diz:
s
virus?
Pedro diz:
sim
Paulo diz:
k



Balada de jurista

Não posso ler coisas como "a festejada doutrina" em textos jurídicos. Minha alma rosna. Subitamente imagino uma balada de juristas que se divertem se citando.
Não tem como festejar uma doutrina, ela não é festiva, a doutrina nasce infeliz, porque não tem humor algum. O texto doutrinário não é sociável, não é de farra. Imagino 700 juristas festejando uma doutrina, um cenário bizarro de velhos dançando em cima de uma tese pacífica. Incrível essa balada.

Papel e caneta de manhã.

As gentes, todo mundo, toda a humanidade inteira, deviam anotar uma única coisa na vida, seus sonhos. Olhando pra trás e recapitulando meu ser percebo que a memória pode brotar a qualquer instante, seja reagindo com a experiência do atual, ou com a nostalgia. A memória, então, é recapitulável (joguem fora essa palavra), o sonho não. Não há esforço no mundo que te lembre de um sonho, tenho alguns marcados, mas tantos outros perdidos. E sonho é um absurdo diário, uma catálise brutal pra imaginação. Não vale o desperdício, jamais. Ao acordarem, por favor, exercitem essa gratidão para os seus seres, e corram pro papel.

domingo, 14 de junho de 2009

Ensino fundamental.

“Schools arc in favor of sensitivity and opposed, naturally, to insensitivity. In the traditional curriculum there are still some outdated things that cause insensitivity. Historical dates cause insensitivity. The square of the hypotenuse instills callousness. Untempered grammar and spelling produce ruthless elitism. The multiplication table can engender inhumanity, and precise diction has been known to result in fascism. Since we have not yet managed to persuade the public that such studies should be discontinued utterly, the best we can do is mitigate them, wherever possible, with expeditions into the mists of what is called noncognitive learning."

sábado, 13 de junho de 2009

Tese.

Tem aquela frase do Millôr: shakespeare só escrevia citações.

Bom, o Luhmann só escrevia teses.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Só pra lembrar.

Hoje é mais fácil ou mais difícil ser Diogo Mainardi?

Eu sempre tive uma visão bastante crítica a meu respeito, então nunca dei muita bola para minha imagem. Sempre me achei pior do que os outros achavam. Sei que o que eu faço é um trabalho, não é uma cruzada. Eu não tenho segundas intenções, não tenho motivação política, interesse pessoal. Faço porque é o meu trabalho. É muito fácil ser Diogo Mainardi porque acabo de trabalhar, desligo computador e sou esse aborrecidíssimo pai de família, um burguesinho comportadinho, certinho, meio barrigudinho que leva o filho para a escola, traz o filho da escola. Então é muito fácil ser Diogo Mainardi. Não recomendo a ninguém, aliás.

"O escritor não precisa de liberdade econômica. Tudo de que precisa é de lápis e papel. Eu nunca soube que algo bom em literatura tivesse se originado da aceitação de uma oferta gratuita de dinheiro. O bom escritor nunca pede auxílio a uma instituição cultural. Está ocupado demais escrevendo alguma coisa. Se não é um escritor de primeira classe, ilude-se dizendo que não tem tempo ou liberdade econômica. Pode surgir arte boa de assaltantes, contrabandistas ou ladrões de cavalos. As pessoas na verdade têm medo de descobrir que podem suportar muita adversidade e pobreza. Têm medo de descobrir que são mais resistentes do que pensam. Nada pode destruir o bom escritor. A única coisa que pode alterar o bom escritor é a morte. Os bons não têm tempo para pensar no sucesso ou em ganhar dinheiro. O sucesso é feminino e como uma mulher; se você se curva diante dela, ela passa por cima de você. Então o jeito de tratá-la é dar-lhe as costas da mão. Aí, talvez, ela venha a rastejar".

fogo pálido

O mínimo que se espera de quem começa a criticar e ironizar os outros é que ele próprio esteja preparado para ser criticado e ironizado.Estranho é quando em nome de uma inexplicável obsessão alguém dedica parágrafos e mais parágrafos por semana ao objetivo de refutar palavras alheias mas perde a compostura ao ser criticado e ironizado em uma única linha.Deve ser muito triste envelhecer com carência de atenção, sem a maturidade emocional. Hoje, com disposição e esforço, todos podem ter acesso a tratamentos psiquiátricos e terapias.E eu não estou sendo irônico."

terça-feira, 9 de junho de 2009

Tédio

Estou convencido de que meus heróis morreram de lordose.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Índice pluviométrico.

Numa pesquisa desgastante que tenho realizado sobre contratos de swap descobri que na BMF dá pra comprar chuva, e não só uma, você pode muito bem comprar 740 chuvas, no futuro ainda.

sábado, 6 de junho de 2009

Que pasa.

Preciso confessar que não sou apaixonado por jazz. Nunca vou ser. Jazz tem umas chatices constantes, improvisações constrangedoras, notas agudas escandalosas, e mais, é cansativo. Por isso que até prefiro os que não ficam só no jazz, como Horace Silver, Donald Byrd ou Larry Young. O próprio Horace abre músicas pedindo pra plateia achar o groove junto com ele. Pra mim Miles Davis não tem groove, tem classe, é sisudo. Mas enfim, o que é presente em todo o jazz é aquela margenzinha de estilo. Ouvir jazz é como vestir Martin Margiela, Original Fake e um belo Onitsuka sem parecer hype (não há outro termo, apologize me).
Todo ouvinte de jazz é então poser. Pode ter 93 anos, 1112 vinis, e assistir pacientemente o show do Jimmy Cobb que continua sendo poser, pois não tem como dissociar o som daquela sensação cocain driving a la Pulp Fiction. Pronto, consegui definir agora. Jazz é o tabaco da música.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

"I cannot see it. I may not touch it. I do not know it"

Terminando de ler a "Fisherman and his Soul", um conto de Wilde, fiquei com uma vontade imensa de sair falando pra todo mundo aquela fala do pescador sobre sua alma. Há algo de estúpido e ao mesmo tempo tão divertido no que ele diz e a sonoridade robótica da frase ajuda a enxergar isso:

"I cannot see it. I may not touch it. I do not know it".
Repitam isso algumas vezes. Oi, tudo bom?

"I cannot see it. I may not touch it. I do not know it".
De fato,

"I cannot see it. I may not touch it. I do not know it".
Acaba que

"I cannot see it. I may not touch it. I do not know it".

Outras partes no conto também são divertidas, mas tenho um pouco de vergonha da minha diversão. Acredito que o dr. Oscar queria dar um tom teatral ao conto, mas eu acabei lendo de outra forma, mais próxima de uma narrativa. Daí rio sozinho. Mais à frente a alma do pescador o chama pra um papo na beira do mar dizendo que quer contar uma coisa. A partir daí, ela conta uma história imensa de uma viagem infinita pro leste em que ela conheceu um pessoal incrível, vários reis, catou um espelho lá do conhecimento, matou gente, tentaram matar ela mas nada a atingia. Leitura pra meia hora e meia. Depois que ela termina, o pescador vira e diz:

- Prefiro o amor, foda-se.

É complicado porque você ainda está sob o efeito da narrativa fantástica e toma um tapa na cara desses. Não deixa de ser interessante a frustração da expectativa, visto que de uma história longa a gente espera uma resposta à altura. Ou ao menos alguma parcimônia vinda da paciência de já ter ouvido tamanha ladainha.

terça-feira, 2 de junho de 2009

middle class for life.

Eu escrevo como quem classe média.