Há momentos numa partida de xadrez em que eu me tenho por sortudo. Visualizo meu jogo e concluo que a estrutura dele está bem montada, para cada movimento do adversário há uma boa resposta com uma peça minha. A questão é que eu não faço ideia de como as coisas chegaram a ser assim, e se foi um processo pensado, daí atribuir sorte a isso. No entanto sorte e matemática não se conciliam. Penso se não há uma espécie de intuitivação da lógica atrás do jogo alcançada pelo número de partidas, mas não procede. Não estudo lógica e sou um inútil em números, portanto não tenho prática pra moldar futuras experiências, e nunca estudei xadrez, nem jogo muito. Pergunto se não sou eu que, naquele momento, consigo visualizar um número maior de jogadas, e provavelmente é este o argumento contra a sorte. Mas o arranjo do jogo é tão esteticamente prazeroso, até mesmo especular, que distorce meu julgamento a respeito dessa estrutura vantajosa, o que me leva à pergunta errada. Não é como vim parar aqui nesse arranjo? mas sim por que estou visualizando tantas jogadas?
Nesse sentido, a sacada que tenho diante do jogo, ao descobri-lo daquela maneira, traz consigo uma sensação de prazer dada pelo domínio daquele instante da partida, me levando a um raciocínio sobre o que senti, não tanto sobre o racional por trás de toda aquela visualização. Estranho como as sensações, mesmo que só por aquele momento, alocam o sentido que você vai dar às coisas.
Nesse sentido, a sacada que tenho diante do jogo, ao descobri-lo daquela maneira, traz consigo uma sensação de prazer dada pelo domínio daquele instante da partida, me levando a um raciocínio sobre o que senti, não tanto sobre o racional por trás de toda aquela visualização. Estranho como as sensações, mesmo que só por aquele momento, alocam o sentido que você vai dar às coisas.
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