Se tacassem fogo na minha biblioteca eu acudiria poucos livros. Tem muita coisa aqui já, mas pouca coisa realmente lida. Enxergo isso com Fernando Pessoa, comecei lendo Alberto Caeiro, numa época intothewild. Hoje leio Barão de Teive e as cartas dele pedindo dinheiro aos amigos, ou mesmo a notícia de jornal que divulga sua morte. O aprofundamento vertical de um autor é incrível, mas mostra que não dá pra conhecer de tudo. Já tentei ler Crime e Castigo trêz vezes, nunca passei da página 30 e poucos. Aliás, a literatura russa inteira passou em branco na minha vida. Maiakovski tem espaço aqui, com "A minha descoberta da América", livro que eu não tenho lembrança alguma a não ser a capa pintada com as cores da bandeira dos EUA num tom de giz. Tem também "Pais e filhos", zero. Ivan Ilitch, do Tolstoi, também nada. Sei que o importante não é lembrar dos livros que lemos, mas analisar o quanto eles te mudam. A Rússia não me mudou.
Já com Pessoa sinto que convivo com ele. Dá até pra projetar diálogos, enxergar seu estilo de vida. Ter seu autor como favorito é se encontrar nele. Não por mera identificação, mas por interlocução. Ao lê-lo vocês conversam ao ponto de você perceber que o diálogo é entre você e você mesmo, sendo o autor apenas o meio dessa relação.
Já com Pessoa sinto que convivo com ele. Dá até pra projetar diálogos, enxergar seu estilo de vida. Ter seu autor como favorito é se encontrar nele. Não por mera identificação, mas por interlocução. Ao lê-lo vocês conversam ao ponto de você perceber que o diálogo é entre você e você mesmo, sendo o autor apenas o meio dessa relação.
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