domingo, 26 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Proto-texto.
Aconteceu com meu autor e compensa contar. Anos atrás sua avó o benzia, como ele não era religioso, ia pela sensação. O ato lhe era estranho e místico, a avó sussurrava palavras que simulavam rezas atravessadas enquanto a boca estalava os finais de cada som. Terminava em sinais da cruz com água benta na testa e nos ombros, e a água estava sempre morna com gosto de guardado que ele tomaria o que sobrou no fim do ritual. A sensação era de um silêncio da alma, que se assemelhava à anamnese matinal que temos diante do guarda roupa, em que o tempo dilata cinco minutos até a eternidade. Mas havia algo a mais, porque lhe era consciente. Olhar pro guarda roupa, assim como abrir a geladeira pra pensar, era uma dispersão – ou como o povo diz, a tal morte da bezerra. Anos se passaram sem que meu autor conseguisse de novo alcançar aquela sensação, e eis que ela ocorreu no lugar mais impossível. Há um ano a trás, meados de julho, quando ele devolvia livros na biblioteca da EAESP, um velhinho que lá os verifica ao tomá-los de sua mão, fez com uma lentidão e uma gravidade tão intensas que causou nele o tal silêncio da alma. Meu autor tentou todas as formas de explicação racional possíveis, de encarar a verificação dos livros como um ato religioso, ou do jeito do velhinho tê-los entregado, de maneira lenta e certa. Nada o convenceu, coitado. Hoje ele continua com essa dúvida, e ainda promete explicá-la racionalmente. Mas, ao contrário dele, eu sei, sei bem porque leio Tomás de Aquino e tenho fé. Aquela sensação era Deus.
sábado, 18 de julho de 2009
Propaganda.
Publico aqui uma carta que enviei aos autores do blog dominodromo que tenho acompanhado a vertigem crescente. Só pra propagandear mesmo, porque eles merecem. Ah e a expressão "saúde e saudades" que eu desmaio de rir quando leio é atribuida a Lima Barreto numa carta que ele publica numa de suas crônicas, datada de 1920.
"OI PESSOAL, SAÚDE E SAUDADES.
VOU ENVIAR ESSA MUSICA AQUI NA LISTA DE VOCÊS PRA VER SE EU GANHO VIP. É DE UMA BANDA DE 'SICHEDELYC FOLK DE 70 EM QUE O VOCALISTA ACREDITAVA SER A REENCARNAÇÃO DE UM FARAÓ, SENDO UM DOS GRUPOS MENOS OUVIDOS NA LAST.FM (19 MIL OUVINTES). COISA DE GENTE SUBTERRÂNEA MESMO. ELE SE MATOU EM 91 E NINGUÉM SABE DA MULHER DELE, MORREU PORQUE NINGUÉM ACREDITAVA NAS SANDICES DAS LETRAS DA BANDA. ENVIO UMA DO PRIMEIRO EP DELES - COISA NOBRE, DUAS MÚSICAS, UMA ELE ATÉ MUDOU A LETRA DE "CRAZY ONE" PARA "QUASAR ONE", A OUTRA A FESTEJADA (não sei por quem) "IN MY MIND'S EYE". ESTA, É UMA CÉLEBRE EXPRESSÃO ATRIBUIDA PRIMITIVAMENTE A HAMLET, DENTRO DE SHAKESPEARE, NESTE TRECHO:
HAMLET: My father! - methinks I see my father.
HORATIO: Where, my lord?
HAMLET: In my mind's eye, Horatio. "
MEU DEUS O AR QUE EU RESPIRO! (cersibon)
*http://www.youtube.com/watch?v=4UBwrD5jhd8
até mais ver.
--
Pedro Cunha.
"OI PESSOAL, SAÚDE E SAUDADES.
VOU ENVIAR ESSA MUSICA AQUI NA LISTA DE VOCÊS PRA VER SE EU GANHO VIP. É DE UMA BANDA DE 'SICHEDELYC FOLK DE 70 EM QUE O VOCALISTA ACREDITAVA SER A REENCARNAÇÃO DE UM FARAÓ, SENDO UM DOS GRUPOS MENOS OUVIDOS NA LAST.FM (19 MIL OUVINTES). COISA DE GENTE SUBTERRÂNEA MESMO. ELE SE MATOU EM 91 E NINGUÉM SABE DA MULHER DELE, MORREU PORQUE NINGUÉM ACREDITAVA NAS SANDICES DAS LETRAS DA BANDA. ENVIO UMA DO PRIMEIRO EP DELES - COISA NOBRE, DUAS MÚSICAS, UMA ELE ATÉ MUDOU A LETRA DE "CRAZY ONE" PARA "QUASAR ONE", A OUTRA A FESTEJADA (não sei por quem) "IN MY MIND'S EYE". ESTA, É UMA CÉLEBRE EXPRESSÃO ATRIBUIDA PRIMITIVAMENTE A HAMLET, DENTRO DE SHAKESPEARE, NESTE TRECHO:
HAMLET: My father! - methinks I see my father.
HORATIO: Where, my lord?
HAMLET: In my mind's eye, Horatio. "
MEU DEUS O AR QUE EU RESPIRO! (cersibon)
*http://www.youtube.com/watch?v=4UBwrD5jhd8
até mais ver.
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Pedro Cunha.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Racismo a favor da Itália.
Pacifiquei essa ideia, antes nublada por pensamentos que simulavam tempestades, de procurar nas mulheres mais estonteantes um denominador comum. Tacando tudo quanto é subjetividade fora, e prezando só pelo estético da coisa mesmo, a minha ideia de um ménage a trois com suecas loiras, ou um desencontro com uma russa pálida de olhos celestiais, encontra conforto não nesses lugares comuns masculinos, mas sim na cor mediterrânea. Talvez o fascínio pela ambigüidade e, sim sim, pelo humano, produza em mim um resultado estético concentrado numa só cor. Essa cor que está sempre no meio do caminho entre o tostado intencional, portanto artificial, relegado às coroas na praia, e o branco sem vitalidade dos dias que antecedem as férias de verão. Como se essa cor nunca precisasse dela, a mais blasé das cores, nunca fosse fruto de um resultado solar, mas de uma natureza pura e ao mesmo tempo intensamente provocativa, porque ambígua. As cores humanas são impossíveis de transpor a uma tonalidade fixa de um giz, compreendo, mas há sempre esforços metafóricos admissíveis como “branca como a espuma do mar” ou “negra azulada”. Entretanto a aproximação se dificulta quando mediterrânea, chuto que pela redundância contida na cor. O bege apático de lingeries que neutralizam a libido, só o faz porque simplifica a tonalidade da cor do corpo, ou seja, comete uma redundância inaceitável porque torna precária nossa impressão da pele. Já na cor mediterrânea o que redunda é o humano da coisa, e toda redundância de humanidade é um excesso de vida, talvez a única redundância aceitável além da do tempo - mais conhecida como tédio.
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