segunda-feira, 6 de julho de 2009
Racismo a favor da Itália.
Pacifiquei essa ideia, antes nublada por pensamentos que simulavam tempestades, de procurar nas mulheres mais estonteantes um denominador comum. Tacando tudo quanto é subjetividade fora, e prezando só pelo estético da coisa mesmo, a minha ideia de um ménage a trois com suecas loiras, ou um desencontro com uma russa pálida de olhos celestiais, encontra conforto não nesses lugares comuns masculinos, mas sim na cor mediterrânea. Talvez o fascínio pela ambigüidade e, sim sim, pelo humano, produza em mim um resultado estético concentrado numa só cor. Essa cor que está sempre no meio do caminho entre o tostado intencional, portanto artificial, relegado às coroas na praia, e o branco sem vitalidade dos dias que antecedem as férias de verão. Como se essa cor nunca precisasse dela, a mais blasé das cores, nunca fosse fruto de um resultado solar, mas de uma natureza pura e ao mesmo tempo intensamente provocativa, porque ambígua. As cores humanas são impossíveis de transpor a uma tonalidade fixa de um giz, compreendo, mas há sempre esforços metafóricos admissíveis como “branca como a espuma do mar” ou “negra azulada”. Entretanto a aproximação se dificulta quando mediterrânea, chuto que pela redundância contida na cor. O bege apático de lingeries que neutralizam a libido, só o faz porque simplifica a tonalidade da cor do corpo, ou seja, comete uma redundância inaceitável porque torna precária nossa impressão da pele. Já na cor mediterrânea o que redunda é o humano da coisa, e toda redundância de humanidade é um excesso de vida, talvez a única redundância aceitável além da do tempo - mais conhecida como tédio.
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