Um poema, uma linha. E o heterônimo Álvaro de Campos conseguiu demonstrar que mais vale a anulação de um destino do que acreditar nele. Porque acreditar num destino é torná-lo árbitro de sua vida supostamente fadada a ele. Existência sem alterações (senão as propostas por ele), como se viver fosse a espera das situações que virão, que “eram pra ser assim”. O tal destino nos trouxe até aqui? E continuará nos guiando com suas coinscidências (legitimadoras da existência dele por não terem sentido racional algum). Bullshit!
O pior inimigo do destino é o livre arbítrio. Neste, vemos nossa capacidade de emergir da viscosidade que nos prende ao “dito cujo”. E por mais que se fuja, sobram restos de Destino na nossa liberdade. E essas sobras são proporcionais à falta de sentido que os tantos impasses da nossa vida possuem. Onde há lacuna racional, há o alento do destino. E onde há destino, há acomodação do pensar. Não se pensa quando, supostamente, já se está estabelecido. Seu tão aguardado futuro reduzido à espera.
A coexistência entre livre arbítrio e destino é impossível. Então por que tantos acreditam nele? Caminho mais fácil da existência, sentido mais fácil de ser dado, mais visível e melhor digerido. Porém, caminho já traçado! Sentido feito por uma entidade e não por você, visibilidade fraudulenta e digestão placebo!
Todo esse texto foi feito pra explicar a frase que anda importunando minha mente. Ela, resultado da união do clichê que mais abomino (“Era pra ser”) com a sensatez melancólica de um dos nossos maiores poetas: “tudo que podia ter sido e não foi”.
“Se era pra ser, tudo que podia ter sido não foi.”
segunda-feira, 2 de abril de 2007
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Adorei!
ResponderExcluirEstou lendo as poesias de Alvaro de Campos, e são incríveis.
Parabéns pela anáise